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terça-feira, março 24, 2009

Edinho Na Selecção!

Finalmente, o reconhecimento: Edinho foi chamado à Selecção!

Já não era sem tempo. Aos 42 anos e ainda a jogar no quase devoluto Farense, depois de ter passado por Olhanense, Portimonense, Chaves (no cromo), Guimarães, Sporting (deu um passôbem ao Paulinho e foi imediatamente retocar a permanente), Bradford, Dunfermline (só para estar perto da destilaria do Johnny Walker), Portimonense – outra vez, U. Lamas, Vizela, Olhanense – outra vez, Portosantense, Juventude de Évora e Campinense, Edinho recebeu o merecido prémio-carreira e estará na Selecção de todos nós.
… de “todos nós”, no sentido de sermos mesmo todos, desde portugueses a brasileiros, passando por ucranianos, togolesas com enormes espaços entre os dentes, esquimós e o Ronny; é mesmo a Selecção mais abrangente que possam imaginar e se o vosso cão tiver jeito para a bola, mesmo que seja um pastor alemão… não percam tempo e tragam-no a um treino de captação, OK? Depois alteramos o pedigree e ele fica logo seleccionável. Não se preocupem.

Agora sim, com Edinho estão reunidas as condições para atacarmos a qualificação em peso. E quando falamos de Edinho e de peso na mesma frase não o fazemos de forma inocente. Sim, porque Edinho, essa máquina de golos com sotaque sopinha de massa, continua em forma e não dispensa um belo cachorro quente a transbordar de maionese e mostarda em cada 15 minutos do jogo. Isto é, Edinho mantém, aos 42 anos, uma forma física invejável capaz de corar qualquer uma das bochechas do Pedro Morcela.

Pode já não ter a sagacidade dos velhos tempos, nem os rui-sânticos caracóis que lhe decoravam a sua jovem face, mas certamente que o seu histórico poder de fogo despertou em Carlos Queirós uma nostalgia inquebrantável que o fez constatar: “Isto só lá vai com o Edinho, o torpedeiro de Chaves. Ele vai ser o nosso homem”.
Agostinho Oliveira, também ele dotado de uma bela composição capilar, a(d)juntou “de Chaves e de mais uma catrefada de sítios, pá” e Queirós ficou sem dúvidas “Ena pá, é isso mesmo, o nosso pequeno bombardeiro identifica-se muito mais com o país real do que por exemplo… eu mesmo!”. E estava selada a surpresa.

Contudo, a verdade veiculada pela imprensa dá conta dessa surpresa, mas envolvendo outro Edinho. A Cromos da Bola, SAD, explica o que se passou. Edinho estava a recuperar energias após um treino geriátrico sem bola numa piscina cheia de banha de porco quando recebeu a chamada do Professor Queirós. “Blá-blá-blá… crise de avançados… blá-blá-blá… falta de carisma e experiência… blá-blá-blá… estás convocado!”. Edinho até se engasgou com um frasco de manteiga de amendoim: “Como é meizmo? Você tá convocando eu prá jogá por Porrtugáu?
- É isso mesmo, pequeno Eduardo. Tu serás a nossa arma secreta!
Mas Edinho mostrou-se irredutível:
- Dji jeito nénhum! Estou muito lêgáu aqui no Eispórtjingui Farensi, não tô prá enchê o sácu com êssis caras aí, pô! Aléim du mais, já tô comprometchido com a sêlêção do Rwanda. Ou do Burkina-Faso. Não sei bem, mais vô sê o Roger Milla dus caras e vô jogá lá assim qui fizé os 45 ânu, tá entendendu?
Dito isto, Edinho desligou com um desprezo só possível a quem já marcou golos de cabeça mesmo não tendo 150 centímetros de altura.
Queirós encarou a nega com tranquilidade.
- E agora, pá, e agora?!? Este anão goleador era a minha última esperança! Que vou eu fazer? O Moreira de Sá disse que não, não percebi o que o Serifo disse, o Paulo Alves não me disse nada… e agora que até já tínhamos revelado o nome à imprensa e tudo… que se lixe, vou já tomar a cápsula de cianeto!
Mas Agostinho foi a tempo de evitar males maiores.
- Eh pá, ó Carlos, a gente arranja aí um Edinho qualquer e ficas bem na fotografia. Vais ver.

E pronto, lá arranjaram um Edinho qualquer na Grécia, um português nem bem de gema, nem bem de clara, mas ainda assim um tipo que pode atrapalhar os suecos, quanto mais não seja por ter escapado ao relatório dos seus olheiros.
Apesar de tudo, uma coisa não conseguirão mascarar: esta convocatória era para este Edinho.
Aliás, na nossa memória só existe este Edinho. E ele já ocupa demasiado espaço para poder caber outro Edinho.

quarta-feira, março 04, 2009

Patrocinadores Jeitosos

Estávamos em 1989. Xavier e Resende saíam de Riade a pensar em altos voos, antes de se despenharem pelos precipícios da desilusão. Miguel Veloso aprendia o B-A-BA das madeixas, enquanto o seu pai treinava penalties contra um boneco do Van Breukelen durante serões a fio. E pelos nossos relvados, camisolas aparentemente simples cobriam-se de patrocínios que revelar-se-iam históricos. Eis uma pequena amostra.

Apenas um nome era capaz de tornar o habitualmente sorumbático Isaías numa espécie de criança sorridente. Esse nome era “Teresinha”.
Teresinha foi como ficou conhecida a mais apaixonante sapataria de todos os tempos. E Teresinha tinha outra irmã, Beleza de seu nome, também ela uma sapataria, também ela uma aficionada pelo futebol do Porto. Porém, duas irmãs, duas paixões: enquanto que Teresinha perdera-se de amores pelo xadrez do Bessa, Beleza grudava-se como uma lapa aos bancos de suplentes das Antas.
Ah, Teresinha, Teresinha; quantos boavisteiros trajaram com o teu nome cravado a letras vermelhas no seu torso musculado… De Hubart a Phil Walker, quem ficou indiferente ao charme discreto da mais famosa Teresa do futebol nacional?
É justo reconhecer: o nosso imaginário futebolístico está marcado a tinta permanente por esta Teresinha. Quantos de nós, ao observar as bravas vestes quadriculadas, não quisemos conhecer-te de perto, entrar dentro de ti, tactear o teu couro e apreciar o conforto de um 42 biqueira larga? Todos nós, Teresinha. Também queríamos sentir a nossa peúga acariciada por ti e sermos Nelsons Bertolazzis por um dia.
Anos mais tarde, Teresinha revelou-se finalmente aos nossos olhos, sob a forma de menina da TV Cabo. Não nos desiludiste, Teresinha – não eras nenhuma bota da tropa, mas o sapatinho de Cinderela que humedecia os nossos sonhos.

A casualidade assaz natural de N’Dinga, espantado com o insólito objecto que lhe espetaram diante dele (“É só uma máquina fotográfica, N’Dinga”), apenas encontra contraste no vigor com que Tensai foi estampado na alva e engelhada camisola vimaranense.
Para dizer a verdade, a Le Coq Sportif apenas queria equipar o conjunto de trolhas que iria fazer umas obras na mansão do seu presidente. Vai daí, compraram cerca de duas dúzias de t-shirts brancas XL na Feira de Espinho por uma verdadeira pechincha. Só então é que veio a ideia de fazer um equipamento desportivo a partir das t-shirts, depois do sindicato dos trolhas ter rotulado o equipamento proposto de “indigno para toda a classe profissional”.
A direcção do Vitória ainda hesitou – “Eh pá, com aquelas golas em plenos anos 80 vamo-nos fartar de ser gozados, até perante o Fafe” – mas quando a Tensai lhes apresentou a sua proposta de patrocínio não restaram dúvidas: “Sim senhor, aquilo é que é pujança na ocupação do espaço; quase que já parece um equipamento de futebol a sério”.
Apesar do ar confuso de N’Dinga, tal opção fazia sentido: um equipamento rudimentar com um patrocínio ligado à tecnologia. Até era um avanço no sentido da modernidade. Antes de Tensai tinha sido o Atum General. Dizem que uma lata de atum vazia pagava o próprio equipamento da Le Coq Sportif.

Este breve lamiré despede-se não com um exemplar, mas toda uma equipa. É o mínimo que se podia fazer. Falamos do saudoso Beira-Mar, que regressara ao convívio da elite. Ou melhor, alguns chamar-lhe-iam Beira-Mar, mas os mais atentos designavam este brioso colectivo de “Exército das Telhas Campos”.
As Telhas Campos eram a verdadeira razão de ser destes guerreiros, tal o peso do seu prestígio. Todo o plantel treinava-se afincadamente durante a semana apenas para chegar ao Domingo e passear com altivez o nome das valentes Telhas Campos pelas quatro linhas deste rectângulo à beira-mar plantado. É possível vislumbrarmos o orgulho indisfarçável de mitos vivos como Dinis, Abdel-Ghany, Alain e Bugre, bem como a alegria transbordante de personagens como Paulo Campos, Costeado, Paquito e João Gouveia. O guarda-redes Miguel era naturalmente o mais triste por não ter direito àquele pedaço sagrado de tecido publicitário.
Todo o plantel uniu-se em nome deste ideal: evocavam o nome das Telhas Campos nas alturas más, glorificavam em êxtase a qualidade incomparável do material argiloso nas alturas boas e nunca deixaram que qualquer cerâmica espanhola denegrisse o seu bom-nome. Por exemplo, Dinis nunca foi capaz de partir uma Telha Campos que fosse na cabeça de Paquito – utilizava antes material em borracha impermeável, que até podia ser reutilizado em outras agressões semelhantes ou então para o telhado da sua garagem.
Há quem diga simplesmente que os tipos não batiam bem da telha, mas isso já não é para aqui chamado.

Agradecimento ao blogue Glórias do Passado pelo magnífico arquivo fotográfico.

sábado, fevereiro 28, 2009

Quatro Guedelhudos Sonham Com O Glam Metal


Spassov, Fernando Couto, Holmberg e Marco Almeida. Todos tiveram o quarto forrado com posters dos Poison. E o Spassov, para além disso, tinha medo de se pentear.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Outro Destino Fabuloso

Tales Schutz (santinho). Um possante avançado, dois belos nomes e três vezes consecutivas a titular como record.

Tales nunca poderia ser horticultor, nunca foi tipo de criar raízes. Como o seu homónimo de Mileto, Tales Schutz (santinho) também se dedica à filosofia. Alguns pensavam que ele vivia do e para o futebol. Mas, na verdade, foi sempre a filosofia que norteou este Tales – em rigor, a filosofia do desprendimento. A sua citação favorita era de António Variações: “só estou bem onde não estou”.
Tales era de facto muito rápido. Como o Lucky Luke a fulminar a sua sombra, olhávamos para o lado e… pumba!, Tales já lá não estava. De espírito inquieto, entediava-se rapidamente das coisas. Tudo era demasiado longo. Especialmente, os 90 minutos de um jogo. Para Tales, o ideal era que o jogo se compusesse de dois pontapés de saída, um por cada equipa, e após estes pontapés íamos todos para casa felizes e contentes, a pensar onde ir no dia seguinte.

Não querendo maçar, até porque o currículo que apresentamos na figura é deveras esclarecedor, vamos só resumir o fabuloso percurso de Tales Schutz (santinho): Botafogo (sítio jeitoso para começar, sem dúvida); Atlético Paranaense (bonito, sim senhor); Ashod (ah, Israel e o seu futebol composto de ogivas de longo alcance e carrosséis ofensivos com sabor a pita shoarma); Maccabi Netanya (não se obtém prestígio nenhum se se jogar em Israel num clube que não seja “Maccabi”); Botafogo RP (cá está, o efeito do prestígio acumulado); Akratitos (onde arranjou atritos que o devolveram à procedência); Botafogo RP (outra vez, num encore pouco habitual); Cianorte (não, não é uma empresa de viação de Amarante); Jagiellonia (a Polónia era o sítio ideal para aprender a desenvolver um bigode como o do Lech Walesa) e Juventus SP (afinal, fazia muito frio na Polónia).
A partir daqui, os relatos dividem-se: os “Cadernos da Bola” apontam que Rondonópolis foi o destino; já a Wikipedia refere o Grémio Inhumense. É natural esta confusão. São dois grandes clubes quase indiferenciáveis. Acreditamos, inclusivamente, que é possível que tenha jogado cinco minutos num lado e outros cinco noutro. Não se esqueçam que Tales foi menino para estar em cerca de dez clubes em apenas cinco anos – ou seja, dois clubes por ano.

Depois, a glória: uma chamada da China, que ficara de olhos em bico perante as qualidades de Tales Schutz (santinho). A resposta de Tales ouvida pelos “Cadernos da Bola”: duas dúzias de golos em trinta jogos.
Golo após golo, Tales levava o riquexó do South China a píncaros nunca dantes experimentados. Fez chop suey das defensivas amareladas e arriscou desfilar em Tiananmen a dar toques na bola. Estava encontrado o novo Confúcio.
Porém, fiel às suas convicções, enterneceu-se ao ouvir falar do Leixões, um clube de homens do mar. Mesmo que estivesse quase a acreditar que era mesmo um avançado notável, Tales arrancou decidido para Matosinhos, deixando a China à beira de um ataque de nervos. Pedaços da Grande Muralha foram-lhe ofertados por milhões de crianças exploradas em fábricas de calçado, mas nada demoveu o impaciente Tales Schutz (santinho).
No Leixões, 394 intensos minutos em 10 jogos. Lamentavelmente, o fulgor goleador da temporada chinesa afundara-se como uma traineira ao largo da costa. Sem grandes surpresas, a direcção leixonense preparava-se para dispensá-lo logo na reabertura do mercado… mas Tales Schutz (santinho) já nem sequer lá estava: regressara ao South China, o único sítio que realmente o soube apreciar. Com ou sem crepes fritos.
Agora Tales Schutz (santinho) vive feliz, com uma impressionante e inédita estabilidade, num fértil campo de arroz com mais 30 ou 40 milhões de chineses, mais o Sidrailson – que deixou um rasto de saudade em Barcelos –, o relativamente obscuro Cacá e o igualmente icónico Detinho. Como podem ver na fotografia ao lado, e a menos que um escorpião lhe tenha paralisado os músculos faciais, Detinho está com um óptimo aspecto, encontrando finalmente um fato que lhe servisse.

Como curiosidade, a Wikipedia refere que Tales usa o nº28 nas costas, em homenagem ao dia em que conheceu a sua actual namorada. Porém, conhecendo bem Tales Schutz (santinho) como conhecemos, é provável que Tales já tenha mudado três ou quatro vezes de namorada entretanto. Pode também já se ter casado, divorciado, casado e preenchido os papéis para o divórcio novamente. E não será de estranhar que já tenha mudado de sexo, regressado ao normal e pensado em mudar de sexo outra vez ou tornar-se hermafrodita. Apostamos que nem a Wikipedia terá o mais recente update de Tales Schutz (santinho).

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Doppelgänger MCXVII














- Reginaldo Rodrigues de Almeida: jornalista da SIC
- Givanildo Vieira de Souza: único ser humano (?) a desafiar o Optimus Prime para uma batalha e a vencê-lo por KO técnico ao 1º round. Sem mãos (e com uma ligeira dor de cabeça).

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Homens Duplicados (e Unificados)

Certos jogadores tornam-se indispensáveis na manobra das suas equipas.
Até se costuma dizer: “X vale por dois”, ou “Y é dois em um”, tal a influência desse jogador.
Mas também pode acontecer o inverso, isto é, quando dois jogadores distintos afinal são apenas um só.
Impossível? Não creiam. Acontece com maior regularidade do que seria esperado.
Os “Cadernos d’A Bola”, verdadeiros Almanaques Borda d’ Água para o aficionado do futebol, são pródigos em desmascarar a dupla personalidade que aflige determinadas figuras da nossa praça.

Tomai como primeiro exemplo este simpático vareiro.
Carlos Miguel era um rapazinho tímido, incapaz de olhar o mundo de frente. Médio mediano, labutava sem esperança pela intermediária. Até que um dia bateu com a cabeça numa tabela de basquetebol e se transfigurou. Já não era o inócuo Carlos Miguel, mas sim Nenad, venenoso atacante sérvio. Carlos Miguel acariciava o fundo das listas de convocados enquanto Nenad fazia mossa nas defesas contrárias.
Um dia, o treinador teve a ideia de escalar os dois para o mesmo onze. Resultado: Carlos Miguel jogou mais à frente do que estava habituado, Nenad esteve muito apagado a executar tarefas mais defensivas, a equipa jogava literalmente com menos um, a Ovarense acabou por perder copiosamente – e, para cúmulo, Nenad viu um amarelo, mas foi Carlos Miguel que recebeu a ordem de expulsão pelo seu primeiro cartão amarelo. Confusos? Sim, é natural, desde aquela fatídica tabela de basket que o Dr. Jekyll e o Mr. Hyde de Ovar nunca mais foi compreendido.

Eis mais dois Miguéis que afinal são só um. Miguel ou João Miguel?, era a pergunta que ecoava nas cabeças aturdidas dos adeptos da Mata Real em 1995, com aquele jogador que parecia saído de um argumento de David Lynch. Quando se sentia confiante, abraçava o nome de João Miguel e ia para o relvado de melenas ao vento e ostentando um certo ar de desdém pelo mundo; mas quando se sentia numa onda minimalista, e também para fugir aos impostos, era tão só Miguel e ia para o relvado de melenas ao vento e sempre com aquela aparência sobranceira que só Miguel, Miguel apenas ou João Miguel, sabia apresentar.
É claro que a situação de Miguel/ João Miguel levantou desconfianças no seio do plantel.

Monteiro, por exemplo, era incapaz de encarar João Miguel cara-a-cara. Sorria com desprezo da sua irritante insolência. “Esse gajo? Pfui, não lhe passo cavaco. Comigo, não há pão para malucos!”. Já em relação a Miguel, Monteiro era mais condescendente e consta que até houve uma vez em que lhe partiu uma caneleira e lhe pediu desculpas. Mas acabou por pedir desculpas ao João Miguel e, por via das dúvidas, deixou de pedir desculpas sempre que partia caneleiras a ambos.

Yulian não era capaz de esconder o seu espanto. “Hã? Como ser? Miguel ser João Miguel? Quê?”. A dúvida que assolava o quotidiano de Yulian é bem visível nesta foto. Há quem diga que este esgar foi causado pelo sol, há quem aponte para uma certa atrofia facial de contornos níticos, mas nós sabemos que o problema não era meramente conjuntural. Não. A culpa era do Miguel/ João Miguel, esse jogador fraudulento, o semeador da confusão, desmistificado pelos “Cadernos d’ A Bola”.

domingo, setembro 21, 2008

Não Saiu Aos Seus

Alex, o Bunbury do Canadá, foi um nome muito em voga nos idos de 80 e foi também o Melhor Estrangeiro do velhinho Campeonato Nacional da 1ª divisão em 1994/95. Ano em que, curiosamente, Paulo Alves e Tavares se exibiram nos principais papéis de uma selecção portuguesa aos papéis. Foi o ultra-famoso Skydome. No Canadá, claro.
Como é sabido, o Canadá tem muitos pergaminhos no hóquei no gelo, mas rivaliza de perto com o Tadjiquistão em termos de futebol. Por isso não espanta que, provavelmente, Alex seja o único futebolista canadiano que conhecemos (*) – isto se finalmente reconhecermos que Fernando Aguiar era mais um protótipo de cyborg e não tanto um jogador de futebol. E, para dizer a verdade, é talvez o melhor dos cidadãos canadianos que conhecemos – pois o Brian Adams, o Ben Johnson e a Avril Lavigne merecem o caixote de lixo e a Céline Dion devia ser co-incinerada directa e inapelavelmente em Souselas (embora Souselas não merecesse este desaforo).

Marcou golos como ninguém marcara ou marcaria no jardim do Alberto João. Cerca de 60 aconchegos à rede em meia dúzia de anos, o grande terror dos visitantes do Caldeirão, quatro letrinhas que dançaram o bailinho da Madeira tendo o golo como parelha e uma relação íntima com a sua grande amiga, a bola.
Aqui o vemos a testar as suas capacidades acrobáticas num momento de terna privacidade. Alex sabia bem o que era o melhor para o esférico, tratando-o com paninhos quentes. E a redondinha retribuía essa afabilidade, grudando-se a Alex tal como João Paulo Brito se colava à linha lateral, ciente que com Alex estaria bem.
E como não havia de estar? A doçura de Alex contrastava com a potência enviezante de Heitor, a sisudez com sotaque de Carlos Jorge, a valentia sarrafeira de Zeca e a apatia desconcertante de Asselman. Já para nem falar do indescritível Fernando Aguiar. Não havia muitas alternativas. Alex apenas fez com que a bola não tivesse dúvidas em decidir de quem ser amiga. Em troca, Alex sussurrava-lhe o segredo de beijar a rede, como grande confidente que era. E ambos iam trocando muitas carícias que faziam os goleiros perder a cabeça.
Era uma ligação que tinha tudo para dar certo. Se não foram felizes para sempre, foi porque a bola, esse fatal objecto de desejo, resolveu iniciar um flirt com o Toedtli. Já se sabe, as bolas são muito volúveis.

Citámos no início desta prosa canadianos e canadianas (que não muletas) célebres. Para quem não sabe, o saudoso Michael J. Fox é igualmente do país da folha de plátano. E quem não se lembra de quando Michael J. Fox fazia de… Alex?

(*) Abro um pequeno espaço confessional: os meus 15 segundos de fama televisiva devem-se a Alex. Novembro de 1996. Programa “Donos do Jogo” da SIC (um Trivial Pursuit futebolístico, para quem não se lembra). A tensão do directo. Pergunta do Paulo Garcia para golo: “Quem marcou o penalty que deu a vitória ao Canadá no jogo contra El Salvador na semana passada”? Oportunidade flagrante. Estava desmarcadíssimo, sem fora-de-jogo. Não era possível haver mais alguém que marcasse no Canadá. Respondi de cor, nem deixei que passasse um segundo. Inaugurei o marcador. Foi só encostar.
Resultado final: perdi… 2-1.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Batata Frita

O humilde Láy nasceu na Guiné-Bissau e gerou grande algazarra quando saiu do ventre de sua mãe para o mundo. Tanta que os ecos da boa nova eclodiram desde o capim cerrado e perpassaram o oceano. Do outro lado, à escuta, Bob Dylan compôs “Lay Lady Lay” em homenagem a si, à sua mãe e quiçá também à sua futura mulher. Genial, Dylan, genial. Três em um. Como um shampoo.
E Láy. Ou Lay? Plural: Lays. Nome de batata frita. Era um avançado que ondulava na área. Mostrava-se oleoso na fuga à marcação. Revelava-se estaladiço na hora de rematar à baliza. Besuntava o juízo dos guarda-redes com finalizações agridoces. Tem ou não tem acento? Tanto faz, tem assento na nossa caderneta.
Olhar no horizonte, nada a temer com as estrelas do equipamento All Sports do lado direito e o emblema do altivo Tirsense junto ao coração, o mundo era lindo e a miragem da UEFA estava ali ao virar da esquina, a um lustro de distância. Havia uma nova constelação chamada Tirsense. Esse Tirsense escuro como a tez de Láy, Lay ou homónimo de batata frita, como escuros são os insondáveis caminhos do destino para o clube de Santo Tirso. Que Deus nos livre. Da sorte do Tirsense, do cabelo do Láy e de um enfarte do miocárdio pelo consumo excessivo de batatas fritas.
Onde quer que estejas, Láy, sabes que podes contar com todo o nosso apoio. Sim. Vamos comendo-te em pacotes, acendendo a luz da tua memória nas nossas papilas gustativas por cada batatinha degustada. Lembramos-te como um veloz goleador e nas tuas variantes barbecue, cebola e presunto. Chlep.
És parte integrante dos nossos sonhos com a visão dos teus parcos, mas bonitos, golos de outrora. E és também parte indispensável do nosso cardápio. És dois em um, mas não és shampoo. És só tu. Viva tu. Viva Láy.

domingo, agosto 17, 2008

Então Traga-me Só O Pudim, Djoincevic

Sim senhor, foi um belo almoço. O bacalhau à Moreira de Sá estava divinal, acompanhado por umas deliciosas batatas a Sá Pinto-quando-encontra-Artur Jorge. Só faltava a sobremesa.
Chamei o empregado de mesa. Ele era nada mais que o bonacheirão Djoincevic, agora retirado dos relvados e com madeixas brancas no couro cabeludo, embora ainda preservando a inconfundível barba. Trazia estampada na farda a óbvia saudade dos gloriosos tempos do velho Salgueiral.
- Então, meu bom homem – dirigi-me afável – diga lá o que tem de sobremesa.
- Ter pudim…
- Eh pá, porreiro – sempre gostei de pudins. Dos caseiros, claro. Aquilo dos pacotes do Mandarim era uma sabujice. Todavia, uma refeição daquelas merecia algo em grande. Indaguei-lhe por mais.
- Então e não há para aí nada com Rui França ou com Nikolic, o Maradona de Paranhos? Isso seria absolutamente fantástico!
- Não… não… já não haver nada… nada restar, sinhor… - percebi que tinha cravado uma seta lá no fundo do seu coração. Djoincevic perdeu o sorriso, as sobrancelhas murcharam e o pobre empregado, escondendo a cara enquanto fungava, a custo evitou que uma teimosa lágrima escorresse pela sua face cabeluda – Mas ainda haver pólo aquático na Salgueiros… - apontou Djoincevic, tentando reter alguma da sua doce ilusão.
- Deixe lá isso, homem – tentei chamá-lo de volta à realidade – Tem mais alguma coisa?
- Ter Varzim
Olá! Varzim rima com pudim. E um Varzim vintage promete, com o travo exótico de Lufemba ou o sabor fidelíssimo de Alexandre, o guedelhudo. Bem bom.
- E de que colheita é esse Varzim?
- Ser do ano passado, sinhor. Muita bom. Querer ver carta?
Ora bolas. Não era bem aquilo que estava à espera. Mas pronto; podia ser que houvesse qualquer coisa que me aguçasse o apetite…
- Venha de lá essa carta, meu grandessíssimo central de marcação.

Hmm. Um Malafaia carregado de gel. Soa-me a indigestão. Tem um nome jeitoso, sem dúvida, é um belo cruzamento entre Malaquias e Alfaia, mas todo aquele creme no cabelo não me deve cair bem. Parece-me um tipo claramente saudosista da moda “Vedeta 1996”. E aspirantes a Sérgio Conceição potenciam-me gastroenterites.




Hã? Ukra? Será o diminutivo radical de “ucraniano”? Eh pá, mas isto é coisa que se apresente a um cliente habitual? Um tipo de Famalicão com uma alcunha que nem um jogador brasileiro ousaria envergar? Sinceramente, Ukra soa-me a sobremesa confeccionada à pressa há 15 dias atrás e conservada fora do frigorífico. Não vou pegar nisso.




Olha, olha, o Postigol por aqui!... Isso confere um cariz internacional à ementa. Ah, mas não é o Hélder, é o Marco. Que azar. É como se a primeira fatia de um melão aparentemente suculento se desfizesse em água desenxabida – assim foi o efeito deste Marco em mim. Fazer-se valer do nome do Hélder… o que não significa necessariamente nada de bom… mas enfim, alguém ainda te irá comer pensando seres o Hélder.




Eh lá!, eis um verdadeiro acepipe! Cresceu-me água na boca: ele era Yazalde, o mítico matador leonino. Iria cair que nem ginjas no bucho. Mas… mas… é outra fraude! Este Yazalde não é o Yazalde que eu conheci! Isto é contrafacção! Não há pachorra para estas imitações. Faz-me lembrar o Messi do Olhanense. E o Zamorano ex-Estrela da Amadora. E as calças Lewi’s e Sóveste que se encontravam nas feiras. Chamei o empregado.


- Ó Djoincevic, este Yazalde esteve muito tempo ao sol, não? Está muito queimado para ser o verdadeiro Yazalde!...
- Não ser essa Yazalde, sinhor. Ser Yazalde, homenagem a argentino. Ser nova especialidade do casa. E ser muita bom.
- E o que é que leva?
- Er… ovos, achar eu… lête… hãããã… e o açúcar de um golo ou outro… achar ser… eu só servir mesas… ser muita bom, eu já provar.
- Ah, se o diz, está bem – quem sou eu para duvidar da palavra deste sábio central que partilhou tardes e tardes de alegria trauliteira com Milovac? – Então pode ser um Yazalde fresquinho, mas traga-me um com cabelo à anos 70, por favor.
Porém, os meus intentos não seriam concretizados. Djoincevic voltou da copa com más notícias.
- Sinhor, já não haver Yazalde. Vender último há meio-hora. Mas amanhã já ter nova Eusébio.
Pois, pois, de novos Eusébios e de novos Maldinis está o inferno da Luz cheio… ou estava, até Mawete Júnior e Sepsi receberem a guia de marcha. Era vê-los chegar às paletes com grandes parangonas e depois ninguém tocava neles, ficavam todos a apodrecer e a cheirar mal a céu aberto, como toda a gente sabe. Era o festim das salmonelas. Não, a mim não me apanham nessa. E, para mais, quero uma sobremesa agora. Por isso decidi-me pelo seguro:
- Então traga-me só o pudim, Djoincevic. Pode ser do Mandarim, já estou por tudo.

segunda-feira, agosto 04, 2008

O Camaleão

Há cromos que assumem várias peles. Ou porque necessitam de uma mudança de imagem quando assumem outros papéis nas suas vidas, ou por uma simples questão de aversão ao caos ultra mediático dos nossos dias. Nos tempos livres, estes artistas obscuros preferem refugiar-se num spa recatado para jogar à bisca dos nove com amigos do género de Milinkovic ou Sérgio Lomba. Raramente são vistos por aí tal como os conhecemos. Apenas excepcionalmente os vemos tal e qual como são: por exemplo, quando saem à rua para comprar o jornal que traz como brinde uma réplica do joelho perdido de Pedro “Titânio” Mantorras ou quando vão buscar o Hélio Roque ao infantário.

Vejamos quem hoje trazemos ao nosso espaço. Vamos tentar descobrir quem ele é, observando as suas mutações de acordo com as ocasiões. É difícil que passe incógnito, tal a força da sua imagem natural. Mas ele bem tenta.
É ainda uma jovem promessa que muitos considerarão auspiciosa, tal a quantidade e o gabarito dos emblemas que apresenta no seu currículo. Este avançado fez questão de nos presentear com o perfume do seu futebol simultaneamente rectilíneo e oblíquo, desde que aqui acariciou a relva com a pungência dos seus pitons pela primeira vez, no ano passado. Houve muita gente que logo se esqueceu de Atelkin. Ou que transformou este facto em desculpa para se ter esquecido de Atelkin.

Eh pá, grande bigode! Sim senhor, uma demonstração impressionante de artur-jorgeanismo! Para começar, não está nada mal. De resto, o bigode é um artefacto muito comum na arte do disfarce: ele possui uma aura de autoridade saloia que solta o verdadeiro Matias que há em nós. E isso faz-nos bem de vez em quando, para desenjoar depois de Tanta nuno-gomice seguida. É o ideal para uma saída casual, ao domingo, para passear o Cao e talvez comprar um Sabugo ou dois.



Quando é necessária mais uma pitada de prestígio, quando chega a hora da sessão de autógrafos da praxe, o nosso jogador adopta um estilo adequado aos grandes momentos. Mais imperial que King, mais Severo que Marcos, ele desmarca-se institucionalmente dos adeptos mais impertinentes como pode, sempre sem perder a compostura. Depois apanha um táxi para casa, remete a despesa para a conta do clube e põe o traje de molho em naftalina até ao próximo evento.

Mesmo os jogadores mais reservados têm os seus momentos de folia. Num ritual inspirado nas cantigas de Vidigal e Marco Aurélio, este nosso amigo também se junta com outros colegas e solta as goelas às sextas-feiras ímpares de cada mês. Aqui o vemos vestido a rigor, integrado num grupo de tributo às Supremes, afamado pelo grande alcance vocal dos seus membros. Dizem que ele já conseguiu partir um vidro. Infelizmente, não foi pela sua voz maviosa: tentou devolver a bola ao Fusco, que estava a brincar no jardim, mas acabou por partir o vidro da casa do Juninho Petrolina. Diana Ross jurou para nunca mais.

No dia-a-dia, reconhecemos que nem sempre as coisas nos correm de feição. Surgem uns dissabores aqui ou ali com alguma frequência. É nestes momentos mais difíceis que se avalia a têmpera dos grandes Homens. E este avançado prova que quer resolver os problemas de forma exemplar: aqui o vemos numa formação on-job em pleno Uganda, num exclusivo Cromos da Bola, S.A.D.. Pouco disposto a ceder a sua carteira ou a permitir uma entrada menos Leal dum Sidraílson qualquer, este jogador metamorfoseia-se em guerrilheiro armado quando sente o chão a fugir-lhe sob os pés. Paulinho Santos, aliás, foi uma personalidade com muitas semelhanças neste capítulo. Apenas não arranjou uma arma. Em todo o caso, também não foi preciso.

Enfim, o mais certo é ser convidado para ir a um jogo de velhas glórias, reencontrar o Kipulu, dar aquela carga de ombro ao Casquilha e assoar-se na direcção do Laureta. Se o dress code for retro, que é que usualmente acontece, eis como o nosso companheiro se apresenta: impecavelmente retrógrado. Nada escapa; nem a ele, nem aos companheiros: o pelado, o cabelo ao sol, os bigodes, o equipamento… podia ser na Amora em 1981 ou em todo o lado, no cantinho das nossas memórias. Ai, ai. Consta que aquele segundo gajo a contar da esquerda na fila de baixo está a construir algo muito bonito lá para as bandas do Colégio Militar. Foi ele próprio que o afirmou, ao desculpar-se por ter pisado a cabeça de Quim Berto quando se abeirava do balcão de um snack-bar na Medideira para requisitar mais um panaché. E quem duvida?

Quem é este nosso avançado camaleão? Uma pista: não é Wason Rentería.

(Ele não pode ouvir falar em Wason Rentería… vejam o que o riso descontrolado lhe provoca…)

segunda-feira, abril 14, 2008

Yannick Djaló dá-lhe com a alma

Depois de ver o futebolista fetiche de Paulo Bento nos Ídolos, a primeira frase que me veio à cabeça foi "don't quit your day job".
Porém, lembrei-me depois que já o tinha visto jogar à bola e que aquele era precisamente o "day job" dele.
E sabem que mais? Não desistas do teu sonho, Yannick.

domingo, dezembro 02, 2007

Kwame, o Globetrotter

Velocidade, destreza e um penteado porreiro. Assim se pode resumir a carreira de Kwame Ayew de uma penada apenas.

Ainda há questões interessantes como o facto de ter jogado em três continentes e doze clubes diferentes, mas a piada aqui está mesmo no seu potencial cromífluo. Ah, e no facto de alguns media lhe chamarem "Kwame Ayew", enquanto outros preferiam "Ayew Kwame", o que nos leva a pensar o que seria da 1ª Liga com um Brandão Marlon, Pinto Vieira João ou Hadrioui El. Pelo menos o Missé-Missé e o júnior portista André André (filho do ex-carregador de piano António André) passam totalmente incólumes ao lado desta polémica.

Kwame começou a carreira ao mais alto nível (?) no Africa Sports, colosso costa-marfinense de onde Rashidi Yekini partiu para o Sado. Cedo deu nas vistas pela sua inegável qualidade e potencial, e rumou para França, caíndo no FC Metz. Ou foi isso, ou uma cunha metida pelo irmão Abedi Pelé, um dos melhores jogadores Africanos de sempre, que curiosamente jogava em França na altura. Ele há coincidências...

Arrivado a Metz sob uma névoa sebastiânica de proporções kwamescas, Ayew confirmou as imensas expectativas de ineptude que rodeavam a sua chegada e foi expatriado com relativa velocidade para a Arábia Saudita. Lá se foi o sonho de partilhar um T4 com o irmão e um grupo de dançarinas eslovacas.

Ao fim e ao cabo, a sua estadia no Al Ahli foi importante para ganhar experiência futeboleira, sendo que o nosso amigo viveu aos 19 anos uma situação que os restantes jogadores só costumam viver aos 38. Precisamente: jogar no Al Ahli. Ora, o velocíssimo jovem Kwame actuando numa Liga onde a média de idades deverá rondar os 63 anos só significa uma coisa: croquetes! Ups. Peço desculpa. Estou com fome. Na verdade, a palavra que queria utilizar era "perigo". Com Ayew em campo, defrontar o Al Ahli significa para os adversários o mesmo que comer no restaurante do Barbas. Medo. Muito medo.

Vinte e dois jogos e catorze golos depois, o africano regressa a um grande País de futebol: a Itália de Emanuele Pesaresi. No Leça (perdão, Lecce) Ayew viveu um momento completamente Luiscampesco - em duas épocas acompanhou a sua equipa da Série A até à Série C. Não terá sido concerteza pelas suas exibições, nem pelo seu penteado a imitar o Yannick Noah, pois o ganês somou o excelente pecúlio de sete golitos em quase quarenta jogos.

Tal demonstração de força e virtuosidade só poderia levar Kwame Ayew a um local: Leiria, obviamente. Onde...desceu de divisão, pois claro. Começamos a detectar um padrão na carreira do homem. Mas ainda assim, o felino ganês chamou a atenção de um emblema onde pontificavam Deuses como Matias ou o guardião Sansone, o Vitória de Setúbal. Perante uma doce oportunidade de imitar o trajecto de Rashidi Yekini do Africa Sports para o Sado (se bem que com 32 clubes pelo meio), o célere avançado nem hesitou.

Em apenas uma época em Setúbal (96/97) fez tantos estragos quanto o Manuel Subtil numa casa de banho da RTP. E com muito mais estilo do que este. Pelo menos, em vez da barba sebosa e aspecto de primata, Kwame passeava orgulhosamente uma frondosa cabeleira pós-modernista, que lhe granjeou fama de Teddy Boy por essa Arábia Saudita fora.

Como é seu timbre, o homem não conseguiu ficar parado muito tempo, e passado uma época subiu mais um degrau na carreira. Desta feita para um certo clube, cujos maillots fazem lembrar toalhas de mesa de restaurantes italianos. Na fase pré-campeão, o Boavista construia uma equipa altamente ambiciosa, que precisava de um artilheiro à altura. Encontrou-o no nosso ganês preferido (depois de Nii Lamptey, claro). Já havia Alfredo na baliza, William Quevedo na defesa, Conthé no meio-campo e Wouden, Martelinho e Jacaré no ataque. Com Ayew, o Boavista alcançou um bonzinho 6º lugar, ao que se seguiu um histórico vice-campeonato na época seguinte, com o irmão de Abedi Pelé em grande plano. Um pecúlio de 15 golos a responder a cruzamentos de Martelinho que lhe valeram o passo maior da sua carreira.

Alvalade. Em plena hegemonia do FC Porto Pentacampeão de Jardel e Alejandro Diaz, arrivou em Lisboa com o intuito de ser o melhor marcador do campeonato e devolver a glória perdida ao clube de De Franceschi. OK, foi uma aposta extremamente optimista dos dirigentes leoninos, mas quem sou eu para questionar? Apenas mais um que nunca achou piada nenhuma ao Badaró. A verdade é que o verde voltou mesmo a ser cor de vitória, passados 18 anos de seca. O mérito? Completamente direccionado para o colo de Ayew Kwame.

O problema é que a glória também tem o seu peso. Não estando habituando a jogar com a pressão inerente à defesa de um título, o ganês decidiu que iria continuar a infernizar a vida de Mário Jardel. Este saira do Dragão para a Turquia, logo, Ayew decidiu que seria uma excelente career move. Porque não confiar na capacidade de julgamento de Jardigol, esse jovem tão ponderado?

Talvez porque o ponta-de-lança brasileiro tem discernimento idêntico ao Soares Franco após jantar (Queiróz dixit). De qualquer forma, o nosso ladino amigo ficou a saber disso inequivocamente. Após dois anos na Turquia molhando a sopa ao serviço de Yozgatspor e Kocaelispor, respectivamente, concretizou um sonho de infância: jogar na China. Primeiro no Changsha Ginde, depois no Inter de Xangai, onde foi o melhor marcador da prova. Toma lá, Jardel. In your face, bitch.

Porém, no final da sua aventura asiática, já calvo e com consciência que a sua carreira estaria mais putrefacta que a dentição de Almerindo Marques, o agora veterano globetrotter tomou a decisão certa.

Em 2006/07, tentou (mais) um "yekini" e regressou à casa que o viu nascer. OK, admito que Ayew não terá nascido em Setúbal, mas o gato dele sim. O pequenito Tinkler, sempre travesso nas suas brincadeirinhas com novelos de lâ. Porque se chamará assim, não sei. O regresso, por sinal, até foi engraçado. Marcou uns golitos e tal, incluíndo uma ignóbil traição ao seu ex-patrão de xadrez (num apimentado frango do porteiro de discotec...guarda-redes William) e uma facada nas costas da União de Leiria, outra ex-entidade patronal. Ingratidão pura.

Não há por aí alguém que lhe vá gritar qualquer coisa do estilo "não cuspas no prato onde comeste"? Suponho que não. Isso seria perfeitamente estúpido.

sábado, novembro 10, 2007

CALILA, ATÉ FAZ FILA


Carlos Alberto Lopes Cabral, não é de facto um nome de jogador da bola.. Não é um Ronaldo, um Baía, um Jardel, um Gomes, um Makukula.. será por isso que Carlos Alberto Lopes Cabral não vingou no futebol. Homem nascido em terras próximas do Douro, embarcou cedo para o Sul do país. Desde Lamego até Torres Vedras foi um tirinho.. Calila jogou ao lado de grandes vedetas torrejanas. Falo de Rosário pro exemplo, quem não se lembra deste jogador, loiro, de cabelo compido, rápido.. esse Rosário hoje estaria num grande! Mas voltando a pôr a agulha no disco certo, Carlos Alberto Cabral queria ir mais longe e ingressou no Belenenses. Aí sim, um clube quase grande de Portugal. A partir da saída do Belenenses foi sempre a descer. No clube da Cruz de Cristo ainda marcou 5 golos em 21 jogos, boa média de Carlos Alberto Lopes Cabral. Mas este avançado parecia andar lento em campo, parecia andar a dormir! E de facto estava, esta foto é tirada na época de 96-97 em Belém. Carlos Alberto Lopes CAbral, acorda p'a vida!! E de facto acordou.. passou do clube azul para o clube do saco azul.! Assim chegou a Felgueiras, mas a sua sorte mandou-o de volta, tal como o carteiro Postiga, para o sul. Quis o destino que fosse o Imorta, para talvez quiçá, imortalizar o seu nome em terras algarvias. No entanto, Carlos Alberto Lopes Cabral fez jus ao seu nome de emigrante e foi , como bom português, jogar para a Alemanha, no Bad Bleiberg! Voltando ao nosso Portugal após uma época em terras de Hitler, tentou o Sporting.. mas estava cheio, e Carlos Alberto Lopes Cabral, ficou ali ao lado, em Alcochete. Assim sim, à dimensão certa do seu futebol. A partir daí, Pinhalnovense, Mirense, Cernache, Lus Evora, Fazendense.. enfim.. todos os "enses" do Vale do Tejo!! Carlos Alberto Lopes Cabral gosta de variar como nós todos de boxers.. e como a Elsa Raposo de homem.. SEMPRE! Em 2004 foi a vez de tentar ficar ligado à história do Benfica! Sim, Benfica! o Futebol Benfica.. se calhar o verdadeiro clube que joga Futebol à Benfica. Por último , mais um ano ,mais uma viagem.. Nesta autêntica fila de clubes, o extremo CALILA queda no Seixal ... mas até quando? Até quando CALILA quiser. Calila sabe muito, conhece muito, viaja muito. Calila não anda a dormir!!

terça-feira, outubro 23, 2007

SIM SIM, ASSIM LIM

Nildo, Tarcísio, Possi, Carlos Coelho, Nené Santarém, Formoso, Tuck, Wilson, Lemos, Lila, Margarido e Vital.. estes nomes assim.. o que fazem lembrar? ..... tempo para responder... não me diga que não sabe mais do que um miúdo de 10 anoooooooooos?!!?

Claro, são os colegas de LIM no Gil Vicente, época 96-97. Época fatídica, já lá vão 11 anos! O Gil desceu, mesmo com estes brilhantes jogadores.
Eu se fosse relatador nessa época, na Rádio Galo de Barcelos, não parava de rir!

Vejam só: Vital, passa para Lila, Lila acelera no seu flanco, flecte para Tuck.. a bola sossega no médio, passa para Formoso, este de 1ª para Carlos Coelho, que desmarca Nené Santarém. Nené Santarém rodopia sobre um adversário e passa a Possi. Bem passada a Possi! Possi pode entrar na área, tem Nildo a pedir a bola e remaaaaaaaaaaaaaata! Ao poste.. E na recarga, surge LIM LIM LIM, vai remataaaaaaaaaaar.. e Goooooooooooooolo!!! LIM LIM LIM LIM ... (este som acompanhava com qualidade a música Jingle Bells).

Quem treinava o grande Gil ?? O bigode do Bernardino Pedroto.
O LIM era daqueles pontas de lança mortíferos fora da área.. dentro é que não.
Era a arma secreta que toda a gente via!
Neste ano marcou apenas 3 golos, mas verdade seja dita que jogou apenas 1150 minutos. 6 jogos completos e 18 incompletos!

Lim esteve mais tarde em Espinho. De realçar que em Espinho foi companheiro de mais uma catrefada de nomes sonantes como Quim (o ponta de lança que parece uma torre parada), Petiz (Não Petit!) , Jojó, Micas, Rochinha, Rolão,Paulo Rola, Moisés, Filó, Osório, Magano, Ferraz, Ginho..
Mais uma vez, se eu fosse relatador da Rádio Espinho, passava os Domingos (que não os Paciencia) a rir.
Grande Lim, assim LIM!

LIM - sim, o LIM - passeou ainda pelo Maia, Gondomar, Moreira de Cónegos e Académica.
Um homem do Norte sem dúvida...

Tão do Norte que hoje trabalha numa fábrica em Ipswich Town! LIM, Yessssssssssss!

sábado, outubro 06, 2007

Brilha de novo, Barça do Tâmega!



















Saudoso Barça do Tâmega, recente vítima de um azul saco, náufrago sem tempo afundando-se num crepúsculo de bravos oceanos. Momentos de quasi-glória de negro vestido, sinal de luto pela queda de mais uma manilha do esférico jogo, disfarçado de mero peão num jogo de interesses.
Também tu, qual Marco, tiveste o teu Avelino, e não foi endereçado pelo correio. Extinção sem aviso de recepção e com remetente desconhecido.

Sofreste tu, mágico pupilo do colosso catalão, mas sofremos também nós. Sem a tua graça e suplesse sobre o tapete, os aplausos perdem-se por entre densas névoas de efervescentes recordações tornadas penosas diante a inexorável marcha do tempo. E assim nos encontramos, orfãos de vultos sebastiânicos convertidos em ícones fossilizados na memória colectiva de um povo enlutado, abandonado pela esperança e visitado pelo desespero.

Quais ícones, perguntais vós?
Começemos pelo Sagrado. Pedra basilar da sociedade moderna, basilar pedra do FC Felgueiras no auge das suas desventuras primodivisionárias. Santíssima Trindade Tobaguenha, tornada sacrossanta por três aristocráticos nomes com laivos de arrogância britânica, filhos bastardos da monárquica diáspora inglesa. Clint Sherwin Marcelle, Leonson Edward Jeffrey Lewis e Earl Jude Jean, sendo que o último só se juntou aos dois primeiros no decorrer das calendas de 1995 e 1996.

[EDIT] Doravante, EJJ será deliciosamente omitido do resto do post, dado tratarmos apenas e só da época anterior. [PRESS DELETE]

A Santíssima Trindade de Dois (meu dito, meu feito) foi o emblema do clube tornado mártir na supracitada belle epoque de '94-'95. Clint estava para Lewis como Trindade para Tobago. Como José para Cid ou D. Duarte Pio para Bragança.
A equação era perfeita. Tal qual inadvertida emulação de anúncio de jornal, avançado grande procura avançado pequenino. Pretende-se cara-metade que nos complete, fortaleça e nos faça sentir indivisíveis.

Do alto dos seus 1,85m, Leonson Lewis era a coisa mais próxima do altar numa equipa orientada por Jesus. Soca Warrior da mais fina estirpe, LL desentupiu a sanita do nulo por quinze vezes durante a epopeia de 94-95. Quinze demonstrações da sua possante habilidade para manusear o desentupidor de resultados, quinze descargas no autoclismo das emoções viradas do avesso.

Clint Sherwin Marcelle, o seu fiel sidekick, não alinhava pelo mesmo diapasão. Aliás, nem gostava de votar os seus tímpanos à audição das alegres cançonetas de Marante. Talvez por isso fosse tão útil diante de um guardião adversário como um pente numa concentração de skinheads. O brilhante total de zero golos na defunta Primeira Divisão é um bom apontamento de humor, mas não faz juz à sua melosa história de amor com o couro. O diminuto avançado Tobaguenho poderia não chegar à prateleira de cima, mas 1,67m carregados de amor e violento afecto pela mais bela arte do joker ofensivo não poderão nunca ser dispensados.

Kristic, o Sérvio, fazia do Mundo o seu quintal. Este verdadeiro Globetrotter da bola, era semelhante aos americanos da bola laranja em quase tudo, tirando a parte do espectáculo, das vitórias, do reconhecimento, da aura mágica e da fantástica habilidade técnica. Mas era viajado.

Viagem era o nome do meio de Sérgio. Só que o seu quintal eram as divisões secundárias. Lixa, Guarda, Lisboa, Marco, Torres Vedras, Paredes e Valpaços foram paragens obrigatórias no comboio do amor. Podemos não nos lembrar dele dentro de campo, mas este brasileiro do Recife semeou o seu charme pelos frondosos campos e aldeias do nosso Portugal, seduzindo as moças lusitanas como se não houvesse amanhã. O seu segredo? Mestre da arte do look Ramón, alicerçado num bigode pensado, olhar inquisitivo, tez morena e um bravio penteado que gritava aos sete ventos "soltem-me!", como um negro corcel aprisionado num fedorento estábulo.

Fedorento é também um bom adjectivo para descrever o equipamento de Lopes. Juntamente com piroso, foleiro, torpe, desagradável, disforme, mal-parecido, desproporcionado ou desagradável.

Lopes da Silva, abraçando
agora uma nova fase da sua ilustre carreira, mostra-se ao Mundo como o Mourinho de Bragança, arrastando multidões para o palco dos sonhos brigantino, actor principal de uma peça onde é figurante e contra-regra, argumento e argumentista, produção e produtor. Em Felgueiras demonstrava já apetência pela liderança, sendo o imperial impermeabilizador de uma aquática linha defensiva e o orgulhoso portador de um autoritário bigode, manifestação capilar de um inequívoco cabecilha.

O Crisanto e o Franc só são para aqui chamados por causa do nome, claro. Parecem bailarinas do Big Show SIC. Francamente. Crisanto e Franc? Francamente.

sábado, setembro 22, 2007

The Buraca Three















Wagnão
, Daniel e Moses.

Se só o mencionar destes nomes em cadência faz tremer muito cidadão cumpridor da lei, ordem e bons costumes, imaginemos o estado de espírito dos adversários do Estrela amadorense quando têm o desprazer de olhar para as suas fronhas...

O pior desta situação? Este trio da Buraca não defrauda expectativas. Está no relvado para fazer precisamente aquilo que poderiamos pensar à primeira vista. Intimidação. Terror. Medo. Uma força bárbara que não se refreia. Um trio ensemble sedento de uma nota sangrenta que não os saciará. Semear o pânico? Certamente.
Aqueles que gostariam de se refugiar na sua cobarde realidade alternativa podem tirar o cavalinho da chuva:

-"Ah, aquele gentil senhor com 1,90m de altura, 2,30m de largura e cara de personagem secundária num filme do Chuck Norris até pode ser boa pessoa. Não sejamos preconceituosos. Concerteza que até tocará sonatas de Schubert num delicado fliscorne.", segredou o inocente gladiador Tonel a Polga as suas impressões sobre Moses dois minutos antes deste lhe deslocar a clavícula à dentada.

Porém, nem tudo é chapa quatro com estes senhores. Também nos é presenteada, embrulhada com um papel festivo e atada com um laçarote extremamente fofuxo, a doce ironia que por demasiadas vezes transforma o Mundo da Bola numa caixinha de surpresas: O brasileiro Duda precisou de sair do Porto para o Boavista para ser campeão.
Ah não, isto não tem nada a ver...afinal aqui não há ironia nenhuma. É que estes três estarolas da Buraca têm mesmo ar de seguranças de discoteca, apesar de serem eles quem arma a bela bronca na dita cuja.

Ei! Alguém falou em "bronca na discoteca"? É que seria capaz de jurar que já vi o prodigioso guri Leandro Lima a cantar alegremente essa cançoneta em qualquer lado.

Ah não, é aquele gajo que tem um penteado igual ao dele, mas que canta o clássico intemporal "Puta Vida, Merda Cagalhões". Que curiosamente foi o que Wagnão disse ao último pobre tolo que tentou passar por ele em velocidade...antes de lhe arrancar o nariz à cabeçada, claro.

Sábias palavras.

quarta-feira, julho 11, 2007

Carlos Bueno - Poll Cromo da Época 2006/07


E vai uma, e vão duas, e vão três... fechada a licitação.
O vencedor é o Bom do Carlos, ou o Carlos Bueno.
Está fechada a poll para cromo da época que terminou há cerca de um mês.
47 votos, suplantando o seu directo concorrente sul-americano. O Lucas Buuuuuuuuccolini Mareque. Um pequeno grande jogador da cantera Argentina do FCP, que se habilita a ter um dia destes um Maradona a gerir os jogadores. (Só espero que não aumente o consumo de estupefacientes na cidade Inbicta)
E por que razão Bueno ficou bueno classificado?
Carlos Bueno marcou num só jogo um POKER! 4 golos, que deram a Buena fama. E.. pelos vistos, nada mais deram. A dispensa vem escrever direito por linhas direitas. Bueno não passa de um Kinder Bueno. Por fora parece chocolate, mas por dentro não se sabe.. é Buena Surpresa. Claro que neste caso calhou uma surpresa daquelas que dá imenso trabalho a montar, cheio de peças.. e cujo resultado é ficar prontinho para o lixo, porque algo não funciona.
Mareque correu e fez um sprint final para o apanhar mas o Uruguai leva o prémio, Bueno merecido.
Espera-se e deseja-se (frase à Grande Octávio Machado.. Para quando um post dele??) que esta época de 2008 possa trazer tantos ou buenos cromos como a que acabou. E pelo mercado, parece haver matéria prima, matéria.. BUENA!

terça-feira, abril 24, 2007

Gil Gomes - A Verdadeira História


Gil Gomes é um dos mistérios maiores da nossa bola. Jovem promissor, campeão do Mundo de sub-20 ao lado de futuros grandes do desporto Mundial como o guedelhudo Valido, o felino Toni e Paulo Banha Torres, cedo desapareceu das lides profissionais, após um início auspicioso.

O que se passou, perguntais vós?
"Cromos da Bola"
, sempre na vanguarda, aplicou-se para descobrir a razão do eclipse deste luso sol de tempero africano.

Nascido a 29 de Agosto de 1959, na pacata localidade de Gary, no Indiana (EUA), sob o nome de Michael Joseph Jackson, o nosso herói desde cedo alinhou pelas lides musicais. Aos 5 anos de idade já fazia parte do grupo vocal "Jackson 5", e aos 10 era um artista milionário e consagrado. No final dos anos 80, vestindo a pele de precoce veterano da K7 oficial e pirata, Michael sentia-se cansado. Preso à única realidade que alguma vez tinha conhecido, cansara-se de ser uma estrela pop. Seguindo uma linha de pensamento lógica, delineou um plano em conjunto com o seu macaco Bubbles: "Vou para aquele solarengo país africano, Portugal, e tornar-me numa estrela de soccer. Aí sim, posso fugir da pressão diária de ser um ídolo de multidões. E de certeza que lá ninguém me conhece, como não existe TV nem telefonia..."

Assim foi. Michael contratou um sósia seu (Latrell Smith) que ganhava a vida imitando-o num casino de Las Vegas (um Fernando Pereira sem a perinha abichanada), e pô-lo no seu lugar. Abalou para Portugal.

O choque inicial - aquando da compra dos bilhetes -, quando soube que afinal o seu País adoptivo fazia parte da Europa, foi mitigado à chegada: "Oh...It's not Africa, but it surely does look like motherfuc*** Africa."
Meteu-se de pronto numa camioneta em direcção a Freixo de Espada à Cinta, cidade que lhe tinha sido recomendada por Elvis Presley e Jim Morrison para adquirir um bom B.I. falso baratucho, que lhe permitisse viver em Portugal até ao fim da vida. Porém, ao contrário destes dois, Michael não montou barraca em Rio Tinto, aventurando-se na capital Portuguesa. Michael Joseph Jackson era agora Nélson Gil de Almeida Gomes, nascido a 02-12-1972 .

Chegado ao Estádio da Luz, Gil Gomes (nome de guerra que escolhera na viagem a conselho da idosa que se sentara a seu lado) utilizou o seu inglês irrepreensível e invulgares dotes futebolísticos (e algum dinheiro também) para convencer John Mortimore a dar-lhe uma oportunidade no Benfica de 1987. Gil fez uso da sua velocidade, reflexos apurados e capacidade de fazer o moonwalk para pastar nas camadas jovens durande dois anos, até conseguir finalmente entrar no plantel principal em 1989/90. Daí até à selecção sub-20 foi apenas um passinho de dança.

Após maravilhar o seu novel País adoptivo com a sua invulgar destreza, Gil fartou-se desta sua vida alternativa. Afinal a pressão era a mesma. Só que em vez de lhe atirarem cuecas e soutiens nos concertos nos maiores palcos Mundiais, atiravam-lhe agora moedas e pilhas quando ia jogar a Paços de Ferreira.
Como um qualquer filme de domingo à tarde na TVI com quaisquer duas irmãs gémeas loiras americanas, o artista-futebolista sentiu saudades do seu antigo empregozito como Rei da Pop e avisou o sósia que fazia de Micheal Jackson (bom velho Latrell) que iriam trocar de lides diárias. Mas havia um problema. Latrell não sabia jogar à bola.

Micheal regressava à sua vida anterior nos EUA, fazia uma cirurgia plástica para reduzir o nariz à Jonas Savimbi, e entregava solenemente o B.I. com o nome Nélson Gil de Almeida Gomes a Latrell Smith. Este, no seu primeiro treino, desiludiu de tal forma, que Sven-Göran lhe veio perguntar: "Que passa, campeóm? É a prrimeirra fez em muito témpo qué Valido e Phaulo Madherra não são os piorres jogadorres no trreino. Kontinua assim, qué fais parrar à zegunda difizóm."

O novo Gil assim continuou, e foi chutado para a Ovarense com uma velocidade superior àquela que José Dominguez imprimia em campo. Mal os responsáveis ovarenses viram que Penteado continuava a ser o melhor jogador ofensivo dos vareiros, estes chutaram-no para longe. Caiu no Tours, equipa da Centésima Segunda Divisão Francesa. Que o chutou para longe. Caiu em Braga. Barroso encarregou-se pessoalmente de o chutar para longe. Caiu na Reboleira (grande pontapé, já agora. Ah, pé canhão!...). Agatão, Mazo e Birame jogaram 5 minutos ao meiinho com ele, antes de decidirem chutá-lo para longe. Desta feita, caiu no Yverdon Sport, da Suiça. Depois no colosso F.C. Will. Depois no imponente Philadelphia Kixx. Claro que nenhum currículo de bosta ficaria completo sem os Jacksonville Cyclones. Ou sem o Sheffield Wednesday e o Avellino (não o do Marco, o de Itália, mesmo). Ou os inevitáveis Hendon F.C., Middlewich Town, Salford City e Hide Town F.C., como é lógico.
Porém, já em 2005, Gil Gomes atinge o ponto alto da sua carreira: Manchester United. Ah não. Afinal não é o United, é o New East Manchester F.C. ...e também não era o ponto alto da carreira, era mesmo o final. Paciência.

Do seu cadeirão favorito no rancho de Neverland, Micheal Jackson seguiu atentamente a carreira que ele tão brilhantemente iniciou. Alguns indefectíveis dos Philadeplhia Kixx juram mesmo tê-lo visto nas bancadas mais do que uma vez a aplaudir e incentivar aquele jogador português de que ninguém gostava muito.

"Cromos da Bola" roubou parte desta informação à CIA. Pedimos encarecidamente que sejam comedidos na divulgação da mesma. Bem Hajam.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Darci à busca da Fama


Darci. Possante avançado do Belenenses de Nito e Calila, destacou-se sobretudo por não se ter destacado. Dominava a arte da invisibilidade em campo como ninguém, só que ao invés de um qualquer Custódio deste Mundo, Darci não dava azo ao chavão "não se dá por ele, mas a sua manobra é essencial para a equipa". Em boa verdade, o chavão apregoado assemelhava-se mais a um "não se dá por ele, mas ao menos dá descanso à defesa do adversário".

Sedento de notoriedade, Darci decidiu dar nas vistas. Sem precisar de pontapear o esférico, isto é. Pensou que se destacaria por ter o maior nariz de porco da primeira Divisão. Mas Carlos Secretário reclamou esse título só para si. Um papa-taças, o nosso Carlos...Campeonato, Taça,Supertaça,Taça UEFA,Liga dos Campeões e Maior Nariz de Porco da Primeira Divisão.

Tendo falhado mais este golo na baliza da vida, Darci Miguel Monteiro procurou o remate da quina da área. Fora do seu alcance de qualquer guarda-redes. Este foi o maior golo da sua carreira.O golo da fama, atingido na sua terra natal no ano de 1999:

"Quem assistir ao Campeonato Carioca de Futebol, que começa neste domingo, dia 7, pode se pegar duvidando dos próprios olhos. Ronaldinho, o jogador mais caro do mundo, teria trocado a Internazionale de Milão pelo modesto Olaria? Não, trata-se do sósia Darci Monteiro, 29 anos, atacante do Olaria. Segundo Darci, em 1993 os dois chegaram a disputar uma partida, Ronaldinho ainda no Cruzeiro e Darci pelo Belenenses de Lisboa. "Mas na época não éramos muito parecidos porque Ronaldinho tinha cabelo. Eu sempre raspei, meu cabelo é um problema(Nota:confirma-se pelo cromo no Belém)." Darci já foi várias vezes confundido com o tetracampeão. Mas as semelhanças entre os dois param por aí. Darci recebe no Olaria R$ 50 mil por seis meses de contrato. Já Ronaldinho fatura US$ 12 milhões por ano."

in http://www.terra.com.br/istoe/gente/153604.htm

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